(Aff...
Gosto amargo)
O copo d’água brota e não dá jeito. Não há jeito.
Um sonho ruim nesta tarde.
Coração disparado. Suor. Melhor um banho frio.
O antibiótico arremessava-se na corrente sanguìnea.
O filme desinteressante aparecia e desaparecia na tela.
Muito cansaço.
A luta já fora perdida tantas vezes.
Império do desânimo.
Em algum momento que não saqaberia precisar, despertava.
Ia até a cozinha e lá estava você. Bêbado. Mal humor.
O fósforo na mão. Luz do fogo sem lampião.
Os troços espalhados pelo chão. Eu não.
Gostaria de fazer um chá.
Água na chaleira.
Olhos de aço.
Nenhuma novidade.
Porque a angústia, o aperto no peito, o mal estar
A boca seca. A certeza de que não se está indo bem
É antiga conhecida daquele reino.
Longínquo.
Há uns quinze mil quilômetros de água
Só os bravos atravessam.
Lembra da história daquele homem bravo que encarou o mar para retornar para
casa?
Deuses, mitos, super poderes, física, matéria, química e ele.
Só.
Conseguiu retornar.
Prever a distância.
Os pés enrugados.
Marulho é excitante, mas não é mole.
Parece que no meio da reta
não foi possível não desviar e desviar.
Andaram sinuosos.
E o velho Ulisses
volta a navegar
(ainda que não seja preciso)
Tentativa falha de colocar em palavras o que é dito, maldito ou bendito, no dia nosso de cada pão.
11 de dezembro de 2013
5 de dezembro de 2013
MUDAR DE RUMO É SÓ MUDAR DE DIREÇÃO?
(Derrota. Cansaço.
As narinas sopram pra dentro
O oxigênio penetra, dá sono
Corpo mole
Ínguas
A garganta pulsa
O ânimo não
Enquanto os olhos queimam
O suor não aparece, não basta
Como se não prestasse
Afinal, o suor da forma pura não dá conta.
Por este caminho não deu certo.
Recomeço)
Copacabana.
Cinco de dezembro de dois mil e treze.
Não sei se um trovão que parece tiro de canhão.
Ou um tiro de canhão que parece um trovão.
As ruas cheias d’água.
Morava em uma ilha.
No sétimo andar.
Outros arranhas-céu boiavam ao redor da janela.
Era Doroty. Confusa se sonho ou vida
No meio daquela semana tresloucada.
Cotovelos apoiados no parapeito da janela encharcada.
Os carros boiam.
A vertigem boia.
As virgens de olhos negros
já escorreram do grande teto
por paredes de concreto.
Também boiam.
O meu barco
Grande, repleto de tralhas dentro
Tapetes, móveis, sapos,
almofadas, desenhos, príncipes
Procura a fé
tenta seguir em sua direção
A proa dá voltas e voltas
Está cega
Consciente,
mas não pode ver nada.
As narinas sopram pra dentro
O oxigênio penetra, dá sono
Corpo mole
Ínguas
A garganta pulsa
O ânimo não
Enquanto os olhos queimam
O suor não aparece, não basta
Como se não prestasse
Afinal, o suor da forma pura não dá conta.
Por este caminho não deu certo.
Recomeço)
Copacabana.
Cinco de dezembro de dois mil e treze.
Não sei se um trovão que parece tiro de canhão.
Ou um tiro de canhão que parece um trovão.
As ruas cheias d’água.
Morava em uma ilha.
No sétimo andar.
Outros arranhas-céu boiavam ao redor da janela.
Era Doroty. Confusa se sonho ou vida
No meio daquela semana tresloucada.
Cotovelos apoiados no parapeito da janela encharcada.
Os carros boiam.
A vertigem boia.
As virgens de olhos negros
já escorreram do grande teto
por paredes de concreto.
Também boiam.
O meu barco
Grande, repleto de tralhas dentro
Tapetes, móveis, sapos,
almofadas, desenhos, príncipes
Procura a fé
tenta seguir em sua direção
A proa dá voltas e voltas
Está cega
Consciente,
mas não pode ver nada.
27 de novembro de 2013
Retrô
E ela, de sobrenome furacão
naquele dia, naquele instante de observação
no qual as gotas deslizavam pela superfícies
naquele dia, naquele instante de observação
no qual as gotas deslizavam pela superfícies
e o sol insistia em achar uma pequenina brecha para mostrar-se,
sentiu um vazio de flores, bombons, surpresas e palavras bonitas.
Queria ser pétala de orquídea, já era um espinho de cacto.
19 de novembro de 2013
Mais do Mesmo (ou já não havia dito isso antes?)
Gosto de pedra
Cheiro de sal molhado
Ontem, esteve lá o ser efêmero
Daquela lua que apagou-se há
Uma primavera
Um inverno atrás
O tempo, os passos e o espaço foram
Viraram agentes da ausência
Um e outro. Um. Outro.
Saco cheio de palavras sobre isso, do cheiro que não está, da marca da arcada na pele que desapareceu, da falta de olhares invejosos, do falo que não habita, do som que não gira e não gira
O tempo.
Passos.
Espaço. Vazio.
O amor que não foi dito
Vira e desvira, mero detalhe.
Entalhe da madeira
retalhada, mas não adquirida.
apesar de exposta.
Cheiro de sal molhado
Ontem, esteve lá o ser efêmero
Daquela lua que apagou-se há
Uma primavera
Um inverno atrás
O tempo, os passos e o espaço foram
Viraram agentes da ausência
Um e outro. Um. Outro.
Saco cheio de palavras sobre isso, do cheiro que não está, da marca da arcada na pele que desapareceu, da falta de olhares invejosos, do falo que não habita, do som que não gira e não gira
O tempo.
Passos.
Espaço. Vazio.
O amor que não foi dito
Vira e desvira, mero detalhe.
Entalhe da madeira
retalhada, mas não adquirida.
apesar de exposta.
6 de outubro de 2013
Maldita.
Há causas que são perdidas e não há muito o que se fazer. Você senta e espera da pior maneira. Que seja! Esses dias, notei que a saudade tem corroído a pele, a alma, os tecidos a cada trago. Sem possibilidades de trazer descanso. De tanta sensibilidade, saudade é o nervo do dente latejante. Sinto-me exposto. E sim, o posto está perdido. Fodido em porções de limões, malvada e gelo. Sem açúcar. E aquela coisa que era a mais bonita, a mais gostosa da cidade, o excremento de toda corja de pequenas bactérias escrotas suicidou.
Precipito em me amaldiçoar e dizer palavras sem efeitos que não deveria. Só que nesse mundo, melhor o que sobra e fica por aí do que o que falta. Gera-se um buraco que desaparece em algum tempo e logo em seguida, perde-se a noção de sua existência.
Perdi a noção da minha ao virar um buraco. Sem pedras pretas. Sem tic tac. Sem sólo. Sem.
Os músicos saltam do metrô com os olhares perdidos. Abaixo a cabeça. Eles sobem as escadas. Eu, sem.
Precipito em me amaldiçoar e dizer palavras sem efeitos que não deveria. Só que nesse mundo, melhor o que sobra e fica por aí do que o que falta. Gera-se um buraco que desaparece em algum tempo e logo em seguida, perde-se a noção de sua existência.
Perdi a noção da minha ao virar um buraco. Sem pedras pretas. Sem tic tac. Sem sólo. Sem.
Os músicos saltam do metrô com os olhares perdidos. Abaixo a cabeça. Eles sobem as escadas. Eu, sem.
31 de janeiro de 2013
Ode à Estabilidade
Estabilidade
Estática
Estar bem
Está bem?
Equilíbrio
Sorrir fixamente
Não rugas
Estática
Estar bem
Está bem?
Equilíbrio
Sorrir fixamente
Não rugas
Face
harmônica
Pseudo-harmonia
Mobilidade
Funcionalidade
Dois pontos
Parágrafo e ponto final.
Funcionalidade
Dois pontos
Parágrafo e ponto final.
- A crise é
feia, mas existe.
Prisão
Silêncio
Um grito no ar
Angústia
Rojão
(...)
[um grito]
Silêncio
Um grito no ar
Angústia
Rojão
(...)
[um grito]
O recuperar
que só a instabilidade pode trazer
A
inaceitável e má educada instabilidade
Faça do meu corpoo seu bem-vindo estar
29 de janeiro de 2013
Ciscos de Sol na janela do Conhecimento
A luz do sol
Pinceladas distintas na tela areia
Pinceladas distintas na tela areia
Na fala
rubra que apaixona e/mas
Desce por
terra na mesma intensidade
Em uma
capa-pele dicotômica
que nem mesmo a bomba atômica,
que nem mesmo a bomba atômica,
Entre a sua
complexidade como acontecimento
Onde alguns
não querem compreender
O demônio-anjo
do não entender
Venerador da
casca unidimensão,
Escolhem o
não envolver
(Falar em
desenvolver pode ser a possibilidade)
Tons de sol
e chuva
Do cinza das
nuvens, do entre branco e preto
O entre é o
silêncio, a arte
O tom da
cor, a tentativa da explicação
Do aparato
científico, do conceito
Que muitas
vezes, sem jeito
Coloca em
visibilidade a alvura
Nas pontas
dos dedos precisos
Para apanhar.
Ah, a
ignorância que é a santa
É também a
outra
O não ouvir
como eleição sua ou do outro
É ouvir, uma
escuta que pode ser cega
Sem tato,
sem cheiro ou sem qualquer sentido
Dos
conhecidos ou Des conhecidos
Imerso no
tempo, a tempo para explicar
Porque as
palavras vão e ficam e vão e ficam e vão e ficam e vão e ficam e vão e ficam e
vão
No vão, em
vão, um vão.
Pensar em um
vão móvel chamado desejo.
12 de janeiro de 2013
Eu tropeço e não desisto [ou um livro perdido na infância]
Um café. Por
receio, a garota sentou-se atrás, não só da grade, mas da porta de vidro também.
A dificuldade em respirar, o gosto de fel na boca e a série de nuvens cinza que
apagaram o sol, fizeram-na engolir alguns pedaços de tiramissú com uma calda
que lembrava o sangue que sentia nos olhos. A cada parte que descia, não sentia
doçura alguma. Lembrou-se de um livro que lera na época da escola, durante o
antigo maternal, que chamava-se “Eu tropeço e não desisto”. De alguma maneira,
aquela história ficou tatuada em sua memória. Havia lido e relido algumas
vezes. Lembrava-se com clareza da finura do livro, da ilustração da capa – uma
menina de vestido branco e avental preto com uma lata de leite na cabeça e
outra nas mãos em um campo gramado, céu azul e ah! Claro. Ela estava de costas,
como alguém que caminha em direção ao horizonte. Cabelos loiros.
Contava a
história de uma jovem que todo dia, enquanto levava os baldes com leite para
casa, tropeçava em algo que a fazia derramar o líquido no chão e retornar a
casa sem nada. No início, ela chorava e era toda tristeza com a situação. Com o
tempo, aprendeu a contornar os obstáculos, as pedras, e conseguiu, finalmente,
chegar com o leite intacto em casa.
Parecia-lhe
uma história sensacional, capaz de fazer seus pequenos olhos brilharem. Só que
ela cresceu. E com olhos e idade maiores, após várias topadas e tropeçadas,
solta um riso sarcástico ao lembrar de todo esse conto, diante de mais um
tropeção.
Caminhou pelas ruas de paralelepípedo, trôpega. Única. Penetrou no metrô e sentou-se em um bar antes de ir para casa. Bebeu umas quatro doses de cachaça e, antes que pedisse a saideira, sorriu e indagou ao cara loiro de cabelos compridos no balcão: “Tem leite?”. A garota que tudo tinha foi até sua residência (tão bem cuidada por ela própria) soluçando de esquina em esquina. No leito branco, derramou-se e dormiu.
10 de janeiro de 2013
"Espera!" [ou a cirrose do amigo]
Esperar. Um
gole preto. Barulho da chuva que entope os bueiros e enche os acostamentos das
ruas que flertam com o mar de lama. O tempo impiedoso não para de gritar e
vomitar. Está tudo calmo. O resto é brisa. Sem raio. O vir e o não vir
tornam-se as únicas opções possíveis. Pensa em chocolate, hambúrguer, comida
gorda, mas com muita fibra para ajudar a digerir todas aquelas informações.
Quem sabe, dessa maneira a tontura não passa. Um xis foi marcado. Vir. Quando
as mãos parecem ter saído do freezer e o coração dança um frevo dentro da
carcaça da gente, qual é o real significado? Significado.
Ao cruzar
todo aquele ferro, um abraço rápido, preocupação, lama, umidade, os lábios
estão ressecados. A voz oscila. O banheiro o convida e os segundos cirandam com
ela. O segundo abraço. Apertado e duradouro como qualquer sofrimento. As
lágrimas já não se contêm. Caem. A água é da saudade, da culpa, da tristeza.
Afastam-se, mas como não havia jeito, já estão de mãos dadas outra vez. Só que
longe. Mais ou menos um metro de distância. Palavras ping, palavras pong. O
velho Malboro é acariciado, aceso, consumido e jogado fora.
O terceiro abraço,
capaz de dizer tudo ainda que não havia sido dito. Ele finalmente, conseguia
dormir em paz. Ela por sua vez, podia extravasar todas as gotas que restavam e
que somente aquele coração podia compreender, mesmo com todas suas fissuras e
faixas. Os anjos dizem amém. Dormem. O alarme do que é real despertam-nos. A
árvore, o mar, a piscina, já não estavam lá. Nunca estiveram. Ela presenteia os
olhos com as joias que mais lhe causavam dor a ausência, o par de contas negras
cor de trovão. Aquela linha côncava, descendente era única e impossível de se
encontrar num outro templo. A transação de pulsos pelos nervos na pelo, sob
tecido e eriçar. No fim, tudo é respiração.
A cena do filme triste. O passarinho molhado pousado no fio. Um par de tênis é calçado. Uma estrelinha amarela. Um de olhares é colocado em close. O quinto abraço da incerteza. O elevador pára. A luz no corredor. O ímpeto de segurar. A despedida. A corrida para a janela faz barulho no teto da senhora que mora embaixo. O barulho distante na porta. Cruza-se a rua como quem tem os pés voltados para trás. Não olha. Como é ofegante a espera. A lembrança da Ofélia. O oceano demoraria demais. Luz verde. Luz vermelha. Luz azul brilhante que triunfa pela avenida que abre espaço só para ela. Para eles. Queria dizer que sente falta do olhar-pássaro que havia criado por aquele tempo, mesmo que à força. Calou-se, enquanto ela desaparecia.
20 de dezembro de 2012
Trajetória 2: Rio-Niterói
Ouve-se uma conversa indignada e fervorosa de um pai para um filho pequeno, uns sete ou oito ou nove anos. O pai dava o seu ponto de vista sobre a vida e educava a criança. Como é árdua e delicida a função de educar. O que fazer, de que maneira agir quando a vida não está balançando sobre o mar com janelas de cartões-postais? De um lado, a ponte. De outro, o pão de açúcar. Como agir quando o mundo se torna de fato um moinho e o calor frita os cabelos de uma moça na rua que ao abraçar o amigo, queima-lhe a orelha?
A figura paternal exclamava que o filho tinha de ficar perto da cabine azul dos policiais, em um ângulo onde a câmera lhe filmava todo o tempo. Que se o cara fosse mexer com seu filho de novo, ele ia falar com os pais dele. E que se continuasse, ia dar parte na delegacia e entrar com uma ação por danos morais (pequenas causas). "Danos morais, não. Injúria racista! Art. nº tal da Constituição Federal." O pai ficou em silêncio. Depois disse que ele não devia ter mexido com a pessoa errada. Meu ouvido atento tentava captar cada palavra e ideia daquela cena.
"Você sempre resolve, né, pai? Vai até o fim que nem aquela vez que o moço..." (não deu pra ouvir o resto). "Sim, filho. A gente tem que ir até o fim. Se as pessoas fizerem algo, a gente tem que contestar. Isso aqui (isso = mundo) é pior que a savana. Na savana, os animais só matam o outro e os comem porque estão com fome e precisam alimentar-se. A fome os move. Aqui, não. É um querendo passar por cima do outro, comer o outro só pela bel vontade, pela maldade. Há prazer nisso. Se não for pela fome, qualquer bicho pode passar pertinho do outro que ele não vai fazer nada."
O menino pergunta algo que não consigo ouvir. O pai diz que naquele caso, a história é outra. É uma questão de instinto do animal, mas que mesmo assim, o bicho só vai matar o outro pela fome. Uma vez mesmo, um amigo dele, Sérgio, mergulhava e um tubarão branco passou do lado dele e não fez nada porque não tinha fome. "Mas isso aqui, filho, é pior que a selva. Tem que estar preparado."
Lembrei-me da conversa que tinha acabado de ter com um amigo sobre fé e religião, e ele me contou que gostaria de acreditar em alguma religião, mas que até o momento presente de seus quarenta e nove antigos anos, nenhuma lhe arrebatara. Falava que queria poder chegar a uma criança enferma ou órfã e dar força dizendo "Eu acredito nisso. Tudo vai melhorar, Vai dar certo." Mas que atualmente,... Só poderia dizer "É, está brabo. Mas não fica assim, porque vai piorar... Se prepara."
Sobre o verbo preparar, aparelhar-se, dispor-se antecipadamente, que tanto ouvi neste dia. Pode querer dizer estar pronto para uma ou mais ocasiões qualquer. É ele um dos mistérios da fé. Estar pronto e confiar-se pronto. Já disse o grande bardo "Estar pronto é tudo." Não é, Hamlet?
A figura paternal exclamava que o filho tinha de ficar perto da cabine azul dos policiais, em um ângulo onde a câmera lhe filmava todo o tempo. Que se o cara fosse mexer com seu filho de novo, ele ia falar com os pais dele. E que se continuasse, ia dar parte na delegacia e entrar com uma ação por danos morais (pequenas causas). "Danos morais, não. Injúria racista! Art. nº tal da Constituição Federal." O pai ficou em silêncio. Depois disse que ele não devia ter mexido com a pessoa errada. Meu ouvido atento tentava captar cada palavra e ideia daquela cena.
"Você sempre resolve, né, pai? Vai até o fim que nem aquela vez que o moço..." (não deu pra ouvir o resto). "Sim, filho. A gente tem que ir até o fim. Se as pessoas fizerem algo, a gente tem que contestar. Isso aqui (isso = mundo) é pior que a savana. Na savana, os animais só matam o outro e os comem porque estão com fome e precisam alimentar-se. A fome os move. Aqui, não. É um querendo passar por cima do outro, comer o outro só pela bel vontade, pela maldade. Há prazer nisso. Se não for pela fome, qualquer bicho pode passar pertinho do outro que ele não vai fazer nada."
O menino pergunta algo que não consigo ouvir. O pai diz que naquele caso, a história é outra. É uma questão de instinto do animal, mas que mesmo assim, o bicho só vai matar o outro pela fome. Uma vez mesmo, um amigo dele, Sérgio, mergulhava e um tubarão branco passou do lado dele e não fez nada porque não tinha fome. "Mas isso aqui, filho, é pior que a selva. Tem que estar preparado."
Lembrei-me da conversa que tinha acabado de ter com um amigo sobre fé e religião, e ele me contou que gostaria de acreditar em alguma religião, mas que até o momento presente de seus quarenta e nove antigos anos, nenhuma lhe arrebatara. Falava que queria poder chegar a uma criança enferma ou órfã e dar força dizendo "Eu acredito nisso. Tudo vai melhorar, Vai dar certo." Mas que atualmente,... Só poderia dizer "É, está brabo. Mas não fica assim, porque vai piorar... Se prepara."
Sobre o verbo preparar, aparelhar-se, dispor-se antecipadamente, que tanto ouvi neste dia. Pode querer dizer estar pronto para uma ou mais ocasiões qualquer. É ele um dos mistérios da fé. Estar pronto e confiar-se pronto. Já disse o grande bardo "Estar pronto é tudo." Não é, Hamlet?
9 de dezembro de 2012
Diz a ela enquanto tomo um café preto. Ou dois.
A brisa e o
barulho dos carros, da obra que constrói mais um dos arranha-céus do centro da
cidade lembram-me o seu discurso paralisante em minha direção. Lembrei-me...
(lembrei-me nada. Meu rosto acaba de queimar quando um homem qualquer com o
boné com a aba virada para o lado e calça jeans, me dá: “boa tarde”. Eu
respondo da mesa do outro lado da grade e ele diz: “Você é muito linda.”
Enrubesço. “Se Deus fez algo mais lindo que você, ele guardou pra ele. Porque
você é muito linda. Nossa. Desculpe e boa tarde.” Sabe aquele tipo de abordagem
que te desnorteia?... Voltei).
Enfim, dizia que lembrava da história de uma amiga que conheceu o amor aos quinze anos e entre idas e vindas, e dez anos, casou-se e meses depois se separou. O mito de Pandora com sua caixa de mistérios. A cozinha. E o Zéfiro de sua Íris que nem sempre a amava tanto assim. Sabe o que é ser olhado dentro da alma mesmo com toda roupa farsante envolta no corpo? Sentir as pirâmides desabarem por dentro? Estar nu no meio de um viaduto movimentado qualquer? É essa a sensação que seu par de botões escuros me causam.
Ouvir que você não pôde me amar e ser inteiro foi levar um tiro no sistema nervoso que escolheu você para reagir e derramar seus mais bonitos sentimentos. Tranquei a carne que se colocou diante de ti para ser devorada.
Enfim, dizia que lembrava da história de uma amiga que conheceu o amor aos quinze anos e entre idas e vindas, e dez anos, casou-se e meses depois se separou. O mito de Pandora com sua caixa de mistérios. A cozinha. E o Zéfiro de sua Íris que nem sempre a amava tanto assim. Sabe o que é ser olhado dentro da alma mesmo com toda roupa farsante envolta no corpo? Sentir as pirâmides desabarem por dentro? Estar nu no meio de um viaduto movimentado qualquer? É essa a sensação que seu par de botões escuros me causam.
Ouvir que você não pôde me amar e ser inteiro foi levar um tiro no sistema nervoso que escolheu você para reagir e derramar seus mais bonitos sentimentos. Tranquei a carne que se colocou diante de ti para ser devorada.
Lembra-se do dia que bebemos algumas cervejas em copos pequenos, outros
grandes? Levantamo-nos e sentamo-nos algumas vezes e eu fiz a avassaladora
escolha de não ir. O suficiente. Porque foi exatamente nesse momento que começamos
a povoar a cabeça um do outro. Em um primeiro instante, espaçadamente, é
verdade. Depois, diariamente. Ao levantar-se e antes de se deitar. De hora em
hora. E se eu tivesse dançado? E se não comêssemos árabe?
Porém a
história que quero contar é a do cara em uma festa, na qual ela sacudia o corpo
sozinho ao som das músicas ultrapassadas da década de setenta, oitenta, abordou
a mulher por seu cabelo e depois, desejou ter um filho com ela. Ele lhes deu um
nome novo como acontece em algumas religiões na ocasião do batismo ou alguma
espécie de renascimento dessas. Rebatizados, eles construíram um elo não
racional e explicável que não os deixou soltarem-se. Que acendeu a mútua
vontade e pronto. De quê, a vontade?
O ponto é que o rapaz que nunca se expunha deusa das cores (ou deus do vento), transbordou palavras lógicas, irracionais e sentimentais que a (o) envolveu em uma atmosfera fantástica e a levitou para alguns centímetros acima da chama azulada do fogão. Ele contou-lhe, com uma marca no pescoço, a história de uma terra cujos componentes assustados por sentirem algo desconhecido renegaram o objeto de seus desejos. Como uma maldição dessas de contos infantis, a terra não conseguiu ficar um dia sequer sem ela consigo, fosse em um pensamento, em um vazio ou em algumas frases. Esse sentimento foi corroendo a crosta que envolvia aquele grande espaço de habitação até que pudesse confessar-lhe explicitamente o que sentia por ela.
Outro conto era sobre o menino que lavou o feijão enquanto debulhava algumas espigas da sua alma. Colocou todos os ingredientes para a receita na tábua. Feijões na panela de pressão que já havia transbordado. Legumes e temperos espalhados pelas bocas. Sentou-se como de praxe no banco com o órgão virado para o encosto. Eles encararam-se. Seus sentimentos mais bonitos e claramente indesejados por si, viraram o prato principal de odor alcoólico. Ele a amava e continuar negando isso só seria massacrá-lo ainda mais um pouco e um pouco mais. Viu-a como que pela primeira vez com olhos de desejos aprisionados pela hora.
5 de dezembro de 2012
Tempo Presente da Nação.
Acordo com
sono, sentindo os ossos e até a pele quebrada pela escassez das horas em que
estive na cama. Cerca de duas horas, duas horas e meia, suponho. Mal me sento,
preparando os pés para me sustentar e uma notícia (mais uma!), me deixa com as
vísceras reviradas e o vômito corrosivo na iminência de sair. Pensando bem,
acho que o vômito apodrecido, na verdade, era arremessado como areia nos meus
olhos e ouvidos. A repórter ao falar, dava um tapa matinal na cara da população
brasileira. Um tapa de impunidade, de escárnio, uma porrada lavada pela
cachoeira de sangue e dejetos que sorria ao dar um pequeno adeus safado para as
grades antes companheiras.
Senti
vergonha. Não de ser quem eu sou ou estar onde estou, ou por minha moral e ética
muito bem lapidadas por uma mulher que com toda pobreza e dificuldades soube me
educar clara e eficientemente bem, obrigada. Mas vergonha por estar em um país
onde todos os dias as notícias (principalmente, no que tange à política) são
péssimas novas. Péssimos exemplos que constróem uma sociedade com um pensamento
bizarro de que o importante é sair por cima da carne seca sempre e dar um “pequenino
adeus” para a câmera no fim.
Beijinho,
beijinho, tchau, tchau.
E foda-se.
E pau, pau.
E empalhamento para quem é adversário ou minoria.
E foda-se.
E pau, pau.
E empalhamento para quem é adversário ou minoria.
Em uma
dessas tragédias gregas, Ésquilo ou outro humano qualquer discursa, através da
fala de um deus do Olimpo, que os mortais têm essa mania de pisar naqueles que
já estão no chão. Infelizmente, é a mais pura verdade.
Ah, a mesquinhez
e a falta de vergonha, de peso na cova e na consciência de roubar daqueles que
possuem tão pouco. De usurpar o dinheiro do lanche que mantém em pé os pequenos
sacos de batata vazios que mal conseguem sustentar-se para adquirir mais
gulodices, gordura e requintes, até importados, para as barrigas flácidas,
obesas ou super esticadas por cirurgias plásticas pagas muitas vezes com a
verba destinada à saúde pública.
Quanto asco!
Senti vontade de morar em um desses países cuja lei é a da tolerância zero.
Para esses corruptos, ladrões e porcos escrotos (com todo respeito aos suínos
que não merecem tal xingamento, coitados), a punição é o corte dos dedos, da
mão, do braço, a retirada dos olhos etc.
É esse o mal
do século, não é? A intolerância.
Fica muito
difícil ser tolerante diante de tanta desumanidade. É a época da exaltação das
atitudes filhas-da-puta (com todo respeito às putas, claro).
22 de outubro de 2012
O Retirante e o Incrustador, Amor.
Essa era para falar do que o amor me
tirou
Um pedaço da minha crença
O interesse por uns livros
O gosto por algumas películas
Uma jaqueta jeans
Uma parte do meu cabelo
Um vidro para que eu possa ver melhor
Uma maneira torta de olhar
Algumas blindagens
O fulgor do olhar
Mas observo e reflito
todo esse sistema-conflito
que me enlaça a memória
e a espreme até lacrimejar
Assim, surge a necessidade de dizer
o que o amor foi capaz de me incrustar
com tal ânsia que transpôs por alguns lados,
sem pedir a menor licença.
O amor me incrustou vontades e fatos,
atos, desejos, amoralidades
A vontade de servir meu coração em uma bandeja
para ser comido (mas ninguém comeu, diga-se de passagem)
O desejo desvairado de fumar um cigarro
O querer desvendar meus próprios mistérios
e dar com a cara no espelho
O prazer de escrever o que nem sempre é
e o que é também. De escrevê-lo.
A compreensão da simplicidade do que é felicidade.
O querer dançar ainda mais nas ruas estreitas de paralelepípedos
A crença em mim
Alguns machucados, dores profundas
arrebatadas pelo eriçar dos pelos
Ouvir a música matrimonial
A edificação imaginária de uma casa com quintal,
uma criança, roupas leves de domingo,
almoços sorridentes em família.
O amor me incrustou um vínculo,
a compreensão, a tolerância,
o experimentar o que ainda nem está pronto.
Uma maneira corrosiva de expressão
Agressividade abafada.
Ciúmes extravagantes, dentro de sua impecável lógica
Um jeans mal acabado
Uma roupa de inverno
A palavra inferno em outro tom.
Incrustou o sal, a pimenta diária
e um paladar transgresso
Um interesse pelo tosco
Um rosto fosco pela saudade
Um vazio sem a menor necessidade
Lágrimas em chamas, impossíveis de desaguar
Um fio arrebentado
Quilos de sal no travesseiro
e álcool no travesseirinho
O arbítrio de perder a beleza, o intelecto, as decisões,
e qualquer outra coisa que me afastasse
Um plano b pra trazê-lo
Um plano c pra seguir sem tê-lo
Por mais que nada (ou tudo) disso
não contenha muito sentido em si
sem você, sem mim
Sigo com a trouxa que me cabe carregar
pela avenida truculenta
Em vida trabalhosa e solitariamente nova, enfim.
E a sensação, é a de quem segue tardiamente...
Um pedaço da minha crença
O interesse por uns livros
O gosto por algumas películas
Uma jaqueta jeans
Uma parte do meu cabelo
Um vidro para que eu possa ver melhor
Uma maneira torta de olhar
Algumas blindagens
O fulgor do olhar
Mas observo e reflito
todo esse sistema-conflito
que me enlaça a memória
e a espreme até lacrimejar
Assim, surge a necessidade de dizer
o que o amor foi capaz de me incrustar
com tal ânsia que transpôs por alguns lados,
sem pedir a menor licença.
O amor me incrustou vontades e fatos,
atos, desejos, amoralidades
A vontade de servir meu coração em uma bandeja
para ser comido (mas ninguém comeu, diga-se de passagem)
O desejo desvairado de fumar um cigarro
O querer desvendar meus próprios mistérios
e dar com a cara no espelho
O prazer de escrever o que nem sempre é
e o que é também. De escrevê-lo.
A compreensão da simplicidade do que é felicidade.
O querer dançar ainda mais nas ruas estreitas de paralelepípedos
A crença em mim
Alguns machucados, dores profundas
arrebatadas pelo eriçar dos pelos
Ouvir a música matrimonial
A edificação imaginária de uma casa com quintal,
uma criança, roupas leves de domingo,
almoços sorridentes em família.
O amor me incrustou um vínculo,
a compreensão, a tolerância,
o experimentar o que ainda nem está pronto.
Uma maneira corrosiva de expressão
Agressividade abafada.
Ciúmes extravagantes, dentro de sua impecável lógica
Um jeans mal acabado
Uma roupa de inverno
A palavra inferno em outro tom.
Incrustou o sal, a pimenta diária
e um paladar transgresso
Um interesse pelo tosco
Um rosto fosco pela saudade
Um vazio sem a menor necessidade
Lágrimas em chamas, impossíveis de desaguar
Um fio arrebentado
Quilos de sal no travesseiro
e álcool no travesseirinho
O arbítrio de perder a beleza, o intelecto, as decisões,
e qualquer outra coisa que me afastasse
Um plano b pra trazê-lo
Um plano c pra seguir sem tê-lo
Por mais que nada (ou tudo) disso
não contenha muito sentido em si
sem você, sem mim
Sigo com a trouxa que me cabe carregar
pela avenida truculenta
Em vida trabalhosa e solitariamente nova, enfim.
E a sensação, é a de quem segue tardiamente...
18 de outubro de 2012
Trajetória de inebrios. [ou uma hora de inspirações]
Ritmo. Respiração. Um compasso para manter uma composição minimalista para um percurso. Um, dois, três, lufar. Um, dois, três, lufar. É isso. Continuar. Hoje, as pernas não doeram, nem queimaram.
Muitos passos, barracas amontoadas e desesperadas. Muitas cores, gente. Só o que é realmente capturado é muito pouco para se relatar. No ir e no voltar, ficou tocada com a imagem de dois menininhos em pontos distintos daquele mesmo espaço, que provavelmente, nunca trocaram brinquedos, gritos ou palavras antes. Eles cavavam dois pequenos buracos com uma raiva cega... Uma agressividade que talvez, lhes causasse um certo prazer. Ou talvez, fosse só um alívio. O fato é que quase urravam, em uma atitude diretiva, devido à dificuldade do peso da terra e da água quando juntos. Guardou aquela cena para tentar reproduzir depois. No início da manhã, outra partitura de movimento já havia lhe roubado alguns segundos de atenção. A frase “Mas por hoje, ficamos por aqui.” Ela suspira, senta-se quase chorando. Bebe os dois ou três goles de água que restam no copo meio vazio. Hidrata. Levanta. Dá quatro passos até a mesinha. Apoia o copo lá. Mais uns cinco passos. Dois beijinhos, um “até” e alguns passos a mais. Arriscaria uns dezessete, dezoito, até a porta de saída da sala e de entrada pra labuta do dia. E seus pensamentos vão assentando-se, assentando-se... Hora de seguir.
Mas continuando, o ar ia ficndo escasso. O ritmo mudara. Viu o Andy Warhol com seu cabelo loiro como quem projeta uma onda. Meio Niemeyer. Poderia voltar a ser um corte de sucesso. "O que quer hoje?” “Quero mudar, fazer algo assim, com umas ondas, sabe? A la Niemeyer!” Sorriu e continuou. Percebeu a águaa regenerando e querendo dizer-lhe algo. Pensou em Iemanjá, seu rosto sereno e poderoso abrigava uma expressão tristonha. Quis lhe perguntar o que era, mas recebeu outra indagação como resposta “Como ele está?” Não está bem. Nada bem. Entre um vômito por dentro e outro por fora. Precisava respeitar sua antítese-escolha. Ou porra nenhuma. Queria vê-lo. Precisava acarinhá-lo e sabia disso. Não para lhe fazer bem ou com algum interesse em passar por cima da sua decisão. Mas só para tocá-lo com carinho mesmo. Tranqulidade. A calma que é difícil manter e que eles detiveram por tantas horas juntos. Pensou em saltar de paraquedas. Virar pássaro por alguns segundos na vida. Correu o máximo que podia e assim, podia sentir seu coração almejando sair pela boca. Sentiu a baba grossa em sua boca como ele havia lhe narrado. Pensou na saliva dos dois quando misturadas, em alquimia e na água salgada. Sua perna direita está um pouco debilitada. Ignora. Anda descalça pelas pedras e sujeira e vê Iemanjá, uma vez mais, em sua cabeça. O que tudo isso quer dizer? Talvez nada. Pode ser só um sonho ou alucinação fruto do seu fígado maltratado por um fim de semana de atropelos. Consegue parar de pensar um pouco. Lava seus pés e quando gira a chave e coloca o pé direito em sua casca, estanca. Ouve o despertador tocando, Só que o despertador crescente dele.
Muitos passos, barracas amontoadas e desesperadas. Muitas cores, gente. Só o que é realmente capturado é muito pouco para se relatar. No ir e no voltar, ficou tocada com a imagem de dois menininhos em pontos distintos daquele mesmo espaço, que provavelmente, nunca trocaram brinquedos, gritos ou palavras antes. Eles cavavam dois pequenos buracos com uma raiva cega... Uma agressividade que talvez, lhes causasse um certo prazer. Ou talvez, fosse só um alívio. O fato é que quase urravam, em uma atitude diretiva, devido à dificuldade do peso da terra e da água quando juntos. Guardou aquela cena para tentar reproduzir depois. No início da manhã, outra partitura de movimento já havia lhe roubado alguns segundos de atenção. A frase “Mas por hoje, ficamos por aqui.” Ela suspira, senta-se quase chorando. Bebe os dois ou três goles de água que restam no copo meio vazio. Hidrata. Levanta. Dá quatro passos até a mesinha. Apoia o copo lá. Mais uns cinco passos. Dois beijinhos, um “até” e alguns passos a mais. Arriscaria uns dezessete, dezoito, até a porta de saída da sala e de entrada pra labuta do dia. E seus pensamentos vão assentando-se, assentando-se... Hora de seguir.
Mas continuando, o ar ia ficndo escasso. O ritmo mudara. Viu o Andy Warhol com seu cabelo loiro como quem projeta uma onda. Meio Niemeyer. Poderia voltar a ser um corte de sucesso. "O que quer hoje?” “Quero mudar, fazer algo assim, com umas ondas, sabe? A la Niemeyer!” Sorriu e continuou. Percebeu a águaa regenerando e querendo dizer-lhe algo. Pensou em Iemanjá, seu rosto sereno e poderoso abrigava uma expressão tristonha. Quis lhe perguntar o que era, mas recebeu outra indagação como resposta “Como ele está?” Não está bem. Nada bem. Entre um vômito por dentro e outro por fora. Precisava respeitar sua antítese-escolha. Ou porra nenhuma. Queria vê-lo. Precisava acarinhá-lo e sabia disso. Não para lhe fazer bem ou com algum interesse em passar por cima da sua decisão. Mas só para tocá-lo com carinho mesmo. Tranqulidade. A calma que é difícil manter e que eles detiveram por tantas horas juntos. Pensou em saltar de paraquedas. Virar pássaro por alguns segundos na vida. Correu o máximo que podia e assim, podia sentir seu coração almejando sair pela boca. Sentiu a baba grossa em sua boca como ele havia lhe narrado. Pensou na saliva dos dois quando misturadas, em alquimia e na água salgada. Sua perna direita está um pouco debilitada. Ignora. Anda descalça pelas pedras e sujeira e vê Iemanjá, uma vez mais, em sua cabeça. O que tudo isso quer dizer? Talvez nada. Pode ser só um sonho ou alucinação fruto do seu fígado maltratado por um fim de semana de atropelos. Consegue parar de pensar um pouco. Lava seus pés e quando gira a chave e coloca o pé direito em sua casca, estanca. Ouve o despertador tocando, Só que o despertador crescente dele.
17 de outubro de 2012
Água, Órgão e Aquela na Boia.
Chuva que não cessa
não penetra na seca
intrínseca ao órgão daquela
que espera na cela não concreta
quem não vai chegar.
O cavalo já passou
O herói também
A heroína se molhou
O menestrel se engasgou
O vilão levou ferro.
Ou se ferrou.
Se há um bobo
Nessa corte molhada
Perdeu o time da piada
Se afogou.
Os ralos transbordaram
Os ratos se atracaram
A batalha estava armada
Arquitetura desmanchada
Mas o passarinho que passava
não mergulhou.
não penetra na seca
intrínseca ao órgão daquela
que espera na cela não concreta
quem não vai chegar.
O cavalo já passou
O herói também
A heroína se molhou
O menestrel se engasgou
O vilão levou ferro.
Ou se ferrou.
Se há um bobo
Nessa corte molhada
Perdeu o time da piada
Se afogou.
Os ralos transbordaram
Os ratos se atracaram
A batalha estava armada
Arquitetura desmanchada
Mas o passarinho que passava
não mergulhou.
15 de outubro de 2012
Ensaio sobre choro incessante.
- Se você
parasse de chorar...
- Eu pararia
de chorar, se eu pudesse.
- Se você pudesse parar de chorar...
- Se soubesse como estancar o sangue de uma ferida aberta, pararia de chorar.
- Se você pudesse parar de chorar...
- Se soubesse como estancar o sangue de uma ferida aberta, pararia de chorar.
- Se você
pudesse estancar o choro...
- Vivo com o
incômodo do choro copioso que corre suave pelos ouvidos e escorre pelos nervos
acarinhando-os. Não poder conter o ato ou a ação de chorar...
é boca seca.
é olho
ardente como brasa.
é dor de
cabeça crônica
é olheira
negra.
é o estrangular
da goela.
é
bombeamento forçoso e ininterrupto do diafragma.
é abandonar
a pele.
é face contorcida,
carranca.
é tentativa
de esvaziar.
é quase se
afogar em água com sal.
é mar.
é corpo em
posição fetal sobre o leito.
é sentir um
rombo no peito.
é a epiderme
fria e os fluidos quentes.
é evaporar
(e condensar para evaporar uma vez mais e outra...)
é química,
biologia e história triste.
é maneira de
abrandar
é evaporar, definitivamente.
3 de outubro de 2012
Sopa de Letras. Um mal Desnecessário.
Há alguns dias, pouco me desce.
E não falo só das coisas bolorentas, inchadas e umedecidas. Falo da correspondência, do barulho das buzinas, da fumaça do cigarro, o cheiro saltitante do pescoço do pedestre.
O café que confortava, agora é o da gastrite, da compressão incompreensiva. Em certas comparações, o velho Bukowski torna-se a Madre Teresa. Teresa... Cruzamento da saudade, do Francisco que ficou lá atrás (no diminutivo).
O porquê da pressão é sabido, mas o que se faz com certos dados... Quem sabe.
E quem sabe o que é ler e escutar estrelas, como medir o tempo da saudade, por que a tristeza é pra um e não pro outro... Deixa estar.
Tanta explicação e certeza podem carregar uma ignorância tão grandiosa.
Será que as mãos uma hora, se acalmam?
(Eca! Nozes com farinha e açúcar nunca espumaram tanto).
Não desce a ideia do argumento, o gesto do outro, a frase dita – não para mim. O mundo todo fervilhando como milho e óleo quente. Estoura, transforma o mundo-pipoca.
Ter febre, meu caro, também é um modo de saber que está vivo.
O “mundotodofagia”!
E não falo só das coisas bolorentas, inchadas e umedecidas. Falo da correspondência, do barulho das buzinas, da fumaça do cigarro, o cheiro saltitante do pescoço do pedestre.
O café que confortava, agora é o da gastrite, da compressão incompreensiva. Em certas comparações, o velho Bukowski torna-se a Madre Teresa. Teresa... Cruzamento da saudade, do Francisco que ficou lá atrás (no diminutivo).
O porquê da pressão é sabido, mas o que se faz com certos dados... Quem sabe.
E quem sabe o que é ler e escutar estrelas, como medir o tempo da saudade, por que a tristeza é pra um e não pro outro... Deixa estar.
Tanta explicação e certeza podem carregar uma ignorância tão grandiosa.
Será que as mãos uma hora, se acalmam?
(Eca! Nozes com farinha e açúcar nunca espumaram tanto).
Não desce a ideia do argumento, o gesto do outro, a frase dita – não para mim. O mundo todo fervilhando como milho e óleo quente. Estoura, transforma o mundo-pipoca.
Ter febre, meu caro, também é um modo de saber que está vivo.
O “mundotodofagia”!
2 de outubro de 2012
Parágrafos [Ou Raios Que Passaram Antes de Terminar de Dizer Esta Frase].
Hoje, ausência. Sou ausência do
raio
Brilhante e apontado, capaz de inebriar
a mocinha sentada com as pernas para um lado do cavalo
a mulher de pele opaca pintada, borrada e rabiscada que não dá um passo em uma corda sem cair.
Brilhante e apontado, capaz de inebriar
a mocinha sentada com as pernas para um lado do cavalo
a mulher de pele opaca pintada, borrada e rabiscada que não dá um passo em uma corda sem cair.
Porém o raio é dúbio mesmo. E
que graciosidade teria se fosse um só?
Divide-se e corta-se por entre nuvens, as quais nem sempre são capazes de escondê-lo.
Porque quem ensina a usar o coração, nem sempre o utiliza e vice-versa.
Versar não é sentir, é colorir.
Divide-se e corta-se por entre nuvens, as quais nem sempre são capazes de escondê-lo.
Porque quem ensina a usar o coração, nem sempre o utiliza e vice-versa.
Versar não é sentir, é colorir.
A temperatura e a umidade,
dentre outros, fatores, capazes de atrair, são as mesmas que expelem, repelem.
E cansam. E sim, desinteressam. Se o resumo de alguém são essas
características, diferente do raio, está fadado a solidão da lei do uso e
desuso.
E se a tua terra não tem
palmeiras, nem flor, nem brotos para um pássaro qualquer cantar, o indicado é
manter-se fora do castelo de asas que não pousou.
A suscetibilidade é objeto de
surpresa na maioria. Encantadora. Corajosa.
E por entro os adjetivos, desestimulante (para não dizer brochante, visto que não há a certeza se o verbo “brochar” é grafado com “x” ou com “ch”).
E por entro os adjetivos, desestimulante (para não dizer brochante, visto que não há a certeza se o verbo “brochar” é grafado com “x” ou com “ch”).
27 de setembro de 2012
Catete às Quintas.
Grades
que querem te segurar
Subi.
As escadas estavam difíceis
Princesa.
Porta entreaberta e
convidativa ao exercício do samba-funkeado
(uma dessas derivações moderninhas de como mostrar-se em molejo)
Rampas para deficientes. Brincar com elas.
Uma esquina-curva do século XIX.
Cachorro no meio dos sacos de lixo
em um poste qualquer.
Um bêbado esbraveja. Vai para o meio da rua.
Os carros desviam.
Todos os transeuntes olham para o mesmo ponto.
Seguir.
Os andaimes.
Um cabelo extraordinário de cachos-sim, cachos-não-dourados.
Era um homem.
Uma moto. Desejei a vespa que ali, não estava.
Me vi numa estrada ensolarada.
Tropecei numa pedra. Voltei.
Corri.
Os andaimes impedem a passagem pela calçada estrangulada.
Arrisca-se na beira
da rua.
Um homem diz, com três passos de distância,
“linda...”
As grades pretas.
Chegada.
Saída. Busco um café.
Mãos de carvão. Água com sabão.
“É pra viagem.”
Copo de plástico. Não tem troco.
“Já volto.” Bonita a confiança de quem tem pouco.
Super. Biscoito. Trocado.
“Aqui. Obrigada!”
O metal foi recebido nas mãos com tempero pra galinha morta.
Um sorriso amarelado. Verdadeiro.
Sala. As pessoas papeiam em um tom alto.
“Intimidade é uma merda!”
Subi.
As escadas estavam difíceis
Princesa.
Porta entreaberta e
convidativa ao exercício do samba-funkeado
(uma dessas derivações moderninhas de como mostrar-se em molejo)
Rampas para deficientes. Brincar com elas.
Uma esquina-curva do século XIX.
Cachorro no meio dos sacos de lixo
em um poste qualquer.
Um bêbado esbraveja. Vai para o meio da rua.
Os carros desviam.
Todos os transeuntes olham para o mesmo ponto.
Seguir.
Os andaimes.
Um cabelo extraordinário de cachos-sim, cachos-não-dourados.
Era um homem.
Uma moto. Desejei a vespa que ali, não estava.
Me vi numa estrada ensolarada.
Tropecei numa pedra. Voltei.
Corri.
Os andaimes impedem a passagem pela calçada estrangulada.
Arrisca-se na beira
da rua.
Um homem diz, com três passos de distância,
“linda...”
As grades pretas.
Chegada.
Saída. Busco um café.
Mãos de carvão. Água com sabão.
“É pra viagem.”
Copo de plástico. Não tem troco.
“Já volto.” Bonita a confiança de quem tem pouco.
Super. Biscoito. Trocado.
“Aqui. Obrigada!”
O metal foi recebido nas mãos com tempero pra galinha morta.
Um sorriso amarelado. Verdadeiro.
Sala. As pessoas papeiam em um tom alto.
“Intimidade é uma merda!”
25 de setembro de 2012
Dias Sem Freio.
Seis
horas da manhã
a menina estanca
o próprio sono dança
pra bem longe
encosta no lençol novamente
pula assustada e com palpitação
coloca a casa dentro da mochila
Banana e vitamina c
sobe os degraus altos e mal ajustados
derrama moedas em mãos sujas
anuncia-se. Sobe para o dez na caixa
Transborda-se e desata alguns nós
transpõe a porta com outros
“Bom dia. Rua Cosme Velho.”
Já passou. Despeja-se na rua.
Esbarra e por isso, encontra-se com alguém
Outra caixa. Gole d´água.
Escolhe um pedaço.
Absorve o conteúdo.
Grécia. Franjas dos orixás.
Tespe. Mascarar-se. Sagrado. Profano.
Sartori, Streller, Moretti, Lecoq
Commedie di Maschera.
Duas xícaras de café.
Quase transborda-se de novo
Encontre alguém que te diga
"keep walking”
O sorriso mascarado da cabeça triste.
Desejo por um corpo que ainda não tem
(mas pode ter)
Dois amos. Servir é circo e pão.
Força e habilidade também.
Conversa. O exercício do ouvir mais.
Bolo de milho com geleia de cassis.
É francês!
Delicieux! Gromelô. Dario Fo.
Desculpa-se.
Desce por outra caixa.
Vertical. Entra em outra horizontal.
Imagem distorcida por 40 graus.
Engole um refrigerante zero e um yakisoba de legumes que fica no estômago.
Cadeira. Desapontamento por seu atraso ter sido menor que o do ensinador.
Amigo. Óculos rosa. Banheiro. Água.
Aula. Surpreender-se.
São três horas, tardinha.
Carona na estrada. Para um jardim verde.
“No hay doctor!”. Engana-se.
Raiva. Raiva. Acalmar-se...
Não era pra ir.
Não era pra moldura estar pronta.
Não era pra encontrar o bolo com adoçante.
Arrasta-se. A gravidade está mais potente.
O energético dá asas. Cara feia.
Saco cheio. Passar dos limites
também é ir embora.
Discussão.
Pra todo pessoal,
(tenho impressão que alguém já disse isso)
adeus!
Mas o travesseiro ainda está longe.
Cansaço. Espreguiçar-se.
Parar de contar na trigésima quarta vez.
Querer sofá.
Querer um sofá.
Roncar.
Zzz...
a menina estanca
o próprio sono dança
pra bem longe
encosta no lençol novamente
pula assustada e com palpitação
coloca a casa dentro da mochila
Banana e vitamina c
sobe os degraus altos e mal ajustados
derrama moedas em mãos sujas
anuncia-se. Sobe para o dez na caixa
Transborda-se e desata alguns nós
transpõe a porta com outros
“Bom dia. Rua Cosme Velho.”
Já passou. Despeja-se na rua.
Esbarra e por isso, encontra-se com alguém
Outra caixa. Gole d´água.
Escolhe um pedaço.
Absorve o conteúdo.
Grécia. Franjas dos orixás.
Tespe. Mascarar-se. Sagrado. Profano.
Sartori, Streller, Moretti, Lecoq
Commedie di Maschera.
Duas xícaras de café.
Quase transborda-se de novo
Encontre alguém que te diga
"keep walking”
O sorriso mascarado da cabeça triste.
Desejo por um corpo que ainda não tem
(mas pode ter)
Dois amos. Servir é circo e pão.
Força e habilidade também.
Conversa. O exercício do ouvir mais.
Bolo de milho com geleia de cassis.
É francês!
Delicieux! Gromelô. Dario Fo.
Desculpa-se.
Desce por outra caixa.
Vertical. Entra em outra horizontal.
Imagem distorcida por 40 graus.
Engole um refrigerante zero e um yakisoba de legumes que fica no estômago.
Cadeira. Desapontamento por seu atraso ter sido menor que o do ensinador.
Amigo. Óculos rosa. Banheiro. Água.
Aula. Surpreender-se.
São três horas, tardinha.
Carona na estrada. Para um jardim verde.
“No hay doctor!”. Engana-se.
Raiva. Raiva. Acalmar-se...
Não era pra ir.
Não era pra moldura estar pronta.
Não era pra encontrar o bolo com adoçante.
Arrasta-se. A gravidade está mais potente.
O energético dá asas. Cara feia.
Saco cheio. Passar dos limites
também é ir embora.
Discussão.
Pra todo pessoal,
(tenho impressão que alguém já disse isso)
adeus!
Mas o travesseiro ainda está longe.
Cansaço. Espreguiçar-se.
Parar de contar na trigésima quarta vez.
Querer sofá.
Querer um sofá.
Roncar.
Zzz...
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