Tentativa falha de colocar em palavras o que é dito, maldito ou bendito, no dia nosso de cada pão.
13 de junho de 2011
11 de junho de 2011
Ela [que quer ser atingível ou uma flor]
Sentou lá pra esperar
Uma parte, como a letra escarlate que você gravou
Um inteiro, no jeito obtuso que se auto-alcunhou
E que prontamente, ela renegou.
Olha-se para os dois lados
E a companheira solidão é bem-vinda
Porque ela se conforma com os devaneios acordados
Que pincelam ainda mais de cinza a atmosfera
Que uma outra sugou.
Tempo sufocante com cheiro de flor
Em meio à selva há sempre o frescor
E não só o medo.
Ainda sentada, os lábios róseos sussurram
Em um tom quase leve que só ouvem os objetos
próximos as portas lacrimosas e quase cerradas:
“Estive correndo com rumo, sem roupas
Sem as armaduras que outrora me vesti
Sigo despida, meu amor
Deito-me para que quem sabe, meu corpo vire flor
E tua chuva pouse, que seja uma gota ou toda ela, por aqui
Ou escolho não crescer.
Não há caminhar longe de você. Se ando,
É acreditando que um dia me seguirá,
Passeará pela estrada, que não mais uma BR quer ser.
Quer ser caminho, como dito flor, e não mais uma ponta.
Se vou, é pra te ver voltar.”
E nas palavras finais, ela diz assim:
“Queria ser mais. Um tudo e o melhor, se é possível.
Se a perfeição é inatingível, desminto então.
Quero ser um ser, tangível, uma mulher
Pra que suas mãos possam me tocar.
Que eu seja o nada, então, não tenho medo.
Se o nada for o que você deseja
Do fundo do oceano dos poros
Do barco que é o seu coração,
possa afundar em mim por vontade?”
Levantou-se.
Ao redor o mundo gris, modificou-se.
Ninguém apareceu. Seguiu em frente
Para que ele pudesse interrompê-la.
21 de fevereiro de 2011
Pedacinho de Ode ao Dançar.
no interior dos ouvidos, um som
É o suficiente para o meu corpo
passear em um percurso sinuoso
propondo signos, seguindo o ritmo
Que a ditadora caixa propõe.
Requebra-se quando é para quebrar
Faz-se uma pirueta quando é para girar
Se é pino, Pina
Se é cuca, Colker
Se é peneira, Pederneiras.
Apenas deixe-se levar
pelo vento, canção é pés
Dancè.
16 de fevereiro de 2011
Sentir, Estar Sóbrio.
Sinto, minha solidão, saudade
Sinto falta de tragar o cigarro seu
Sinto a angústia do seu não tocar
nos quadris em movimento, meus
Sinto a ausência do hálito de cândura,
da camisa divertida que você usou.
Sinto o devorar do peito pelo vazio dos seus pés,
dos lábios pela secura da sua saliva,
das mãos pela distância dos dedos seus.
Sinto o silêncio das nossas risadas,
do seu "não chore" repetido e acompanhado de carinho,
o preto e branco da pele sem o carmim que se apossou.
Sinto o destino que nos destraçou.
Sinto a espera da maternidade que nos reengendrará
Sinto a estagnação do assistir meu time só
Sinto o nó da minha cabeça que vaga a te buscar
Sinto a embriaguez pesada que se dá
pela falta da companhia que desejo, sua.
Sinto a sobriedade do desejo que não nasceu
Sinto o arrependimento pela dureza,
pela couraça, já derretida, que não permitiu o imenso valor de um amor
transbordar por minha boca e te prender com seu consentimento
na cidade nua que não possui mais encantos mil.
Sinto, sinto muito.
Sinto o tempo e o vento que me desnortearam.
Me encontre. Por aí.
14 de fevereiro de 2011
O Desmonte que Vem do Encaixe Teu.
Tudo ainda era tão normal
azul era azul, e a velocidade...
como sempre caíam as peças
ao ritmo que induzia a gravidade.
Transpor a porta foi aquele fragmento
um pedaço de momento denominado felicidade
Se eu pudesse dizer...
mas a felicidade é o engasgar
da "intradutibilidade" de um conto
em uma língua qualquer que não a sua.
A eternidade do abraço cruzado
O volume alto do fribilar de dois vermelhos que tocam-se,
pele com pele. O perceber do poro,
da cor do lábio, do olhar tão único, sua digital...
Palavras são tão frágeis
É vida que escapa em um tropeço
O amar, peço, as asas que tocaram-me
e o levaram. Espaçaram o amor do carinho
O meu inteiro da metade do teu gostar
Um abraço de amor, logo em lágrimas pode se verter
e o teu se cuida, logo transforma-se em dor.
Quando a vontade é se abandonar
Sigo adiante, como disse.
Avante, saudade, sê bem-vinda
a me desmontar.
9 de janeiro de 2011
Fugir Para o Alto, Para Lá do Céu.
O que dizer da vida,
Frágil vida decidiu partir
E nem pediu licença.
Anulou a presença do que foi, do que seria
Sentença sem fim de recorrer.
Bom. Bom tentar pensar no nascimento
Rebento do céu de duas jovens estrelinhas
Que de tão frescas, nem vê-se o brilho
E mesmo assim, faz o mundo contorcer-se
Numa breve tentativa de pegar
Ou simplesmente, acenar.
[tchau. Adeus, mocinhas cintilantes]
Despedida, dor viva do que não há
Explica por que um grão de areia
Pode evaporar-se do chão
Sem ao menos ter a chance de encoberto,
Coberto pelo afago da conchinha, perolar?
Sentimento, pressentimento, pesar
Presságio, o calar anterior...
Se uma angústia pudesse explodir
Mas ela é feita para ser engolida.
Engolir e engasgar com o ar que não ousa sair
Vil e inevitável, acidental relâmpago
Partir.
Aqui, Lá, Acolá.
Desde que o avião aterrou pelas bandas de lá
Tudo se perdeu por aqui por dentro
Lá, lá onde tudo está
Ainda há sorrisos e texturas na parede
Paixão tem acento e as mãos cálidas,
cálidas mãos ainda tem onde afagar
Aqui, aqui as fotografias brotam do chão
Os azulejos já não são azuis e sentem-se sós
As lembranças teimam em arquivar-se
Os quadros.
O espelho.
Não adianta falar que foi partido
Cada pedaço de caos, cada espuma do leito que foi teu
Grita por você. Ai!
Dentro do armário o sono não está
Não é possível encontrar
Nada aqui, aqui
Se tudo lá, lá encontrou.