Sobre a beleza de estar só
posso dizer que é belo,
é puro e ecoante
sua voz gritada
e retornada por lábios constantes
Posso dizer que é silêncio,
é não querer ouvir alguém
que venha a te tratar
como uma jóia frágil
ou alguém pra destroçar
Posso dizer que são cinzas
do corpo que já se foi
e não terminou de dizer
as tantas palavras errantes
que traduzem o que se veio fazer
Posso dizer que é rir pra si
do filme no cinema,
é comer toda a pipoca
e no fim da exibição
ter comentário e não poder fazer a troca.
Tentativa falha de colocar em palavras o que é dito, maldito ou bendito, no dia nosso de cada pão.
21 de julho de 2008
17 de julho de 2008
"Publicitude"
Na vida pública
Se escreve
Se faz arte
Vendável
"Compre-me"
É a afirmação
A escolha é sua
Vem a censura
Que quer parar
Quem banca tudo
O que se diz agora
E o que se quer falar
Se já foi dito
A faca tem dois gumes
Antes de falar, pense
Repense, mentalize
Refale o que é costume
O que por sua riqueza
Nunca vai calar.
Se escreve
Se faz arte
Vendável
"Compre-me"
É a afirmação
A escolha é sua
Vem a censura
Que quer parar
Quem banca tudo
O que se diz agora
E o que se quer falar
Se já foi dito
A faca tem dois gumes
Antes de falar, pense
Repense, mentalize
Refale o que é costume
O que por sua riqueza
Nunca vai calar.
12 de maio de 2008
Inclusive os Miúdos
Não te dou o prazer
De chorar ao ver
As águas que banham
A face borrada
Encharcada e apagada
Te deixo as lembranças
Os sonhos de crianças
O riso e as alegrias
O preço dos cacos
partidos em estilhaços
Não vou te pedir
Prefiro espalhá-los, reduzi-los
Para que não possa reconstitui-los
Só não te dou o prazer
De sofrer ao saber
Que sofro mais
Fico com tudo
Esperança, tristeza e os miúdos.
De chorar ao ver
As águas que banham
A face borrada
Encharcada e apagada
Te deixo as lembranças
Os sonhos de crianças
O riso e as alegrias
O preço dos cacos
partidos em estilhaços
Não vou te pedir
Prefiro espalhá-los, reduzi-los
Para que não possa reconstitui-los
Só não te dou o prazer
De sofrer ao saber
Que sofro mais
Fico com tudo
Esperança, tristeza e os miúdos.
11 de maio de 2008
Se Não Para Isso
Eu apenas gostaria
De te dizer, de transbordar
Que amo-te
E sem você,
sou as reticências;
De quem não espera, a impaciência;
E do relógio, a não frequência.
Se não para admirar
o jeito sinuoso
a fala tão calma
a inquietude do teu sono
o sussurro da alma
o talento já inegável
a beleza sublime
o orgulho irredutível
a decisão que desafine
a fortaleza de um abraço
a cautela do beijo
o estilo refinado
a timidez do desejo
as pintas localizadas
os cachos inebriantes
a esperança sempre alerta
o sotaque aconchegante
o pensamento escondido
o olhar que segura
a lágrima cintilante
a expressão tão pura
Para que continuar a acreditar
Em amor, em amar?
De te dizer, de transbordar
Que amo-te
E sem você,
sou as reticências;
De quem não espera, a impaciência;
E do relógio, a não frequência.
Se não para admirar
o jeito sinuoso
a fala tão calma
a inquietude do teu sono
o sussurro da alma
o talento já inegável
a beleza sublime
o orgulho irredutível
a decisão que desafine
a fortaleza de um abraço
a cautela do beijo
o estilo refinado
a timidez do desejo
as pintas localizadas
os cachos inebriantes
a esperança sempre alerta
o sotaque aconchegante
o pensamento escondido
o olhar que segura
a lágrima cintilante
a expressão tão pura
Para que continuar a acreditar
Em amor, em amar?
26 de março de 2008
A Ela.
Os pés cruzam-se
Grudam, soltam-se e açoitam-na
As madeiras, que se tacam,
E não atacam. O som...
O chão acariciado
Pegadas formam um caminho
Traçado, levo a você
Mas não sou eu, é ela
Ela que é sua, é nua
Ilumina a lua que ilumina você
Ela
Canto a ela por teu encanto
Que não roubou o que eu não tive
O que não vive, já enterrei
Como o órgão interno no corpo e ainda pulsa.
A ela.
Grudam, soltam-se e açoitam-na
As madeiras, que se tacam,
E não atacam. O som...
O chão acariciado
Pegadas formam um caminho
Traçado, levo a você
Mas não sou eu, é ela
Ela que é sua, é nua
Ilumina a lua que ilumina você
Ela
Canto a ela por teu encanto
Que não roubou o que eu não tive
O que não vive, já enterrei
Como o órgão interno no corpo e ainda pulsa.
A ela.
13 de março de 2008
Sentada Pulo
Sentir um gosto amargo
Com o ventre, azedo
Sulco verde, latente
É o...
Sente-se no estômago
E a pobre razão, coitada
Não é a culpada
Se fosse raiva no âmago
Nego. Nego a negra sensação.
Pego. Pego o quente e engulo.
E rulmino-o. Há tensão.
Grito calada e sentenda pulo.
(Uma fala)
Nem toda amizade é desejada.
Com o ventre, azedo
Sulco verde, latente
É o...
Sente-se no estômago
E a pobre razão, coitada
Não é a culpada
Se fosse raiva no âmago
Nego. Nego a negra sensação.
Pego. Pego o quente e engulo.
E rulmino-o. Há tensão.
Grito calada e sentenda pulo.
(Uma fala)
Nem toda amizade é desejada.
12 de março de 2008
Minutos Que Escorrem
Os minutos, como lesmas, escorrem
Deslizam pela fria superfície da sala
Parecem parados, atracados no porto
Da vagareza que envolvem as cinzas manhãs
Por dentro, sinto tudo torto
Desce pela goela a aspereza das maçãs
Como extenso é o tempo
Quando se entra no avião
Sofro na densidade do momento
Que relaxa as horas, após a sofreguidão
Chegar a você é lacrimejar de alegria
E derramar-se a cada despedida
É rogar para que o mundo encurte
E não haja partidas, nem o frescor
Das incandescentes gotas. Que me furte...
A união, fim esperado pelo amor.
Deslizam pela fria superfície da sala
Parecem parados, atracados no porto
Da vagareza que envolvem as cinzas manhãs
Por dentro, sinto tudo torto
Desce pela goela a aspereza das maçãs
Como extenso é o tempo
Quando se entra no avião
Sofro na densidade do momento
Que relaxa as horas, após a sofreguidão
Chegar a você é lacrimejar de alegria
E derramar-se a cada despedida
É rogar para que o mundo encurte
E não haja partidas, nem o frescor
Das incandescentes gotas. Que me furte...
A união, fim esperado pelo amor.
Assinar:
Postagens (Atom)