Tentativa falha de colocar em palavras o que é dito, maldito ou bendito, no dia nosso de cada pão.
9 de junho de 2012
Nobreza [Inspirações em Dia de Chuva]
1 de junho de 2012
Resposta Ao Desejo Do Victor
Só não o explico por não ter como colocar em falas
O que não pode ser dito.
Prefiro então, olhar amor, tocar amor, ser amor
com os que precisam,
E se o conveniente for dizer não, direi.
E assim sendo, machucarei alguns, verdade.
Serei magoada também.
Quanto às forças para o não desesperar-se, não prometerei
Mas juro deixar o tempo correr e curar cada dor.
Mas comemoro cada dia ao lado daqueles pingados que realmente estimo e me estima.
ou os que olham com olhos de amizade insincera, deixo passar.
Chorar a solidão faz parte do caminho
E limpar a alma com soluços pode ajudar muitas vezes
Porque o excesso, o acúmulo, esse sim é o mal do século.
Confesso que o não crer, às vezes, é o que me faz crescer.
Mas tento ter fé em mim e no homem todas as noites, ao me deitar
E penso, exito, sigo a pensar
Até imaginar algumas vezes,
Pra acompanhar minha existência, amar-me.
A minha e a dos meus.
Mas se remar não vai adiantar
e só exaurir seus braços, aprecie a vista do céu. Tão eterno...
Ainda não aprendi a agradecer cada ruga.
Mas cada experiência sim. Obrigada.
A grande e dolorosa descoberta foi que é preciso chorar.
É uma dessas coisas que só se descobre na carne
Então, deixa escorrer como escorrerá
O importante é não esquecer de abrir as janelas no fim
Para que o rosto inchado não enclausure e se torne desespero.
Como também pode deixar marcas cujas cicatrizes serão irremediáveis.
Não só olhar, mas olhar e verde verdade. sem ser falso.
E contemplar o que é belo realmente sem julgamentos
E espantar-se com o que é feio e fétido.
E deixar bater a compaixão que é o que te torna mais forte
Tento não esquecer de sorrir e manter o sorriso só porque acordei feliz,
ajuda muito a alcançá-la muitas vezes.
O medo de que ele suma ou fuja, pode interferir nos seus sonhos.
Ao menos, nos planos que há tempos fiz.
Mas a percepção de que a vida é móvel, em ciclo, uma roda desperta,
te acalma e te faz repensar.
Não a ideia última, mas a que mais perdurou.
O exercício de libertar-se dos maus sentimentos
é mais que necessário.
Engolir ou vomitar os bolos a seco, antes engolidos, é fundamental.
E às vezes, fujo disso, eu sei.
Mas uma hora faço-o, para não sufocar demais
E que depois de tudo isso, o maior espaço que fique seja preenchido por amor.
O amor mais puro como o de muitas mães e pais por seus
Também o amor que te tira do ar. Inflamado.
Que te deixa pouco à vontade. que te torna até idiota.
Poder curtir os clichês do relacionamento é essencial
E se não resta emoção, esqueça a razão e aprenda a desapegar.
O recomeçar pode ser gostoso, ou não.
O perdão e o arrependimento também devem encontrar o momento certo
para revelarem-se, eu sei.
Talvez não saiba de nada. Talvez.
Mas sei o quanto é bom existir no mundo
em que você também nasceu.
e nos permitiu perceber-nos e tocar um ao outro.
Pois sem tudo isso, o amor, o dinheiro, o riso, o choro,
continuariam valendo, claro.
Porém, menos.
Bem menos do que vale
por você estar.
25 de abril de 2012
Carta De Um Cavalheiro
Só queria ver o sorriso
Vai com Deus.
23 de abril de 2012
O que voou.
Quando ela desejou a tua
Fugistes. Correr e esconder-se
É a tua especiaria.
Quando te encontro, choro
Porque não chorar é contrário a razão.
Enquanto a paixão é imperatriz, ser atriz.
Engana-te a ti mesmo
Procurar aquele que em seu ludibrio
possa fazer rir e continuar.
Onde está aquele que ganha
A parte de mim que está escondida?
Fugida. Logo agora que promete
Agora que confessa, que sente
Agora que pinta de colorido, que caiu
Agora que está marcada, desativada
Agora que é mais bonita
Louca, ferida, doída, tocada
Quando ela estende a mão
A cadeira já está vazia.
Sair e caminhar, a continuação da linha que ela arrebentou
cruzou e deixou escapar.
Já é pipa perdida.
19 de dezembro de 2011
La Prisionera [O Homem Que Não Se Quer Amar]
Quem é esse homem a frente de minhas lembranças
Por quem me apaixonei perdida e despropositadamente?
Quem é o homem que amei?
Perdeu-se de si e em meu peito
Como quem vaga na noite de mãos dadas à embriaguez
Que não oferece perdão, só torpor.
Ainda é capaz de trazer em si um pedaço genuíno de mim?
Se não, nem precisa responder. Oculte-se sorrateiramente
Lua que brilha independente da minha palidez.
Quem é esse homem que toquei de forma despudorada?
Por quem cruzei estradas, me acabei e não regressei, jamais.
Por quem deixei de ser eu mesma
Quem é o homem que desabrochou a flor da candura
E descosturou a alma que de grande, reduziu-se a pedaços,
A centímetros de linhas soltas impossíveis de tear?
Que a linha dura possa me levar ao longe
Onde as rosas são negras
Pro meu corpo murchar em paz
Que não existam pensamentos
Mas se é neles que falo
Já penso
E se penso
Esse longe não há.
26 de setembro de 2011
Dissonância do Destino.
E a toalha pesa
Posso agradecer a você
Pôr a culpa em mim mesmo
Pinçado do mar, num veleiro a esmo
Mesmo na incompreensão
do meu falar.
Se digo A, entende Z.
Se me mostrar, nem quer saber.
Se afirmo não, o sim é o que vai dizer.
E se o se é talvez, não vai entender.
Na dissonância do nosso discurso
Outros podem ouvir e rir?
Sentir o mesmo compasso encostado
Garante o persistir? _Diz.
Mas um mundo maior
Do que o que não sou ou queria ser
Vai saber...
Não tenho olhos, nem vi castelos
Sou a pluma pesada que cai
21 de junho de 2011
Na Estação
Ao passo que a vida corre de salto
Pisando em corações e acariciando outros, todos seguem.
O ritmo quem pode dizer é quem canta
Quem embala a tua estrada enquanto você pisa
Para não dançar.
Mas a menina já dançou.
Já expressou o sentir latente
Do corpo maior e sobre
Do partir do humano que por último, saltou.
- O trem pode seguir sem direção?
Ela ainda pergunta-se enquanto aguarda na estação
O bilhete que já esgotou.
A menina espera...
De mim, posso dizer que só aceitava a possibilidade
de ter você com exclusividade dessa vez
O que era meu, era só meu ou nosso. Ponto.
Mas como mentira, frágil e de vidro, espatifou-se
E finalmente pude ver, da forma mais clara e arrogante,
que meu, você já não era há um pedaço de século atrás.
Ela esperou, bebeu água de mar, sentou e adormeceu.
O sonho que poderia ter sido, não foi bom.
Ela despertou e percebeu que o bilhete ainda não havia chegado.
A tolice pode ser optar por crer no que se pensa
Ao invés do que está escrito e assinado em tuas mãos.
Fomos pra casa.
As nuvens mostram-se.
E o frio é apenas um estado que se permite sentir.