14 de abril de 2007

Minha Porta

Vazia
Faria
Se não fiz,
O que ainda importa?

Fria
Tardia
Se ninguém vem
E bate a minha porta!

Vermelho
Espelho
Se a moldura
Permanece torta...

Almejo
Não vejo
Se há caos
A esperança morta?


12 de abril de 2007

Signo do Camaleão

Signo da curiosidade
Da amizade
Da dispersão

Signo da dupla identidade
Da ambigüidade
Da comunicação

Signo da criatividade
Da mutabilidade
Do camelão

Signo da Jovialidade
Da exterioridade
Da observação

Signo do zodíaco
Do artístico
Do clásico e do lírico

Sim e não.

10 de abril de 2007

Sentir, Dizer e Ouvir

Sentir saudade
Não é fácil
Mas é a dificuldade
Mais prazerosa que senti

Sentir saudade
Dizer, e ouvir
O "eu também"
São lágrimas de alegria
O maior bem

Sentir saudade
E não receber resposta
Um impessoal idem
É perder a aposta
De que o sucesso ainda vem.

8 de abril de 2007

Garganta

Na quinta, a límpida água
Renova pedra, coração, planta
O mundo verde transparece
Grita forte a garganta

Ela reclama, arranha
Me põe na cama, fanha

E o que renovou,
Se re-renova
Ou seja, apenas voltou
Ao que era antes
Situação não-nova

antiga, constante, inimiga dor...

6 de abril de 2007

Se Tic ou Tac

Tic-tac, as horas correm
O mundo não pára
Não se pode parar
Tic-tac, o que já passou
São fatos atrasados
Para não se atrasar
Tic-tac, o presente está
E em câmera lenta
Tente mais o ralentar
Tic-tac, os segundos importam
Somente curta, viva, aproveite
Descompromisso é para aproveitar
Tic, o futuro não se prevê
Se o Tac ocorrerá
Ou se não vai ocorrer.

Simplesmente assim.

3 de abril de 2007

2 Linhas do Quadrado

Se é sempre o começo do fim
Não dite regras assim
Se a vida passa
Não dê espaço à ameaça
Se nós dois fomos tingidos
Desbotemos enquanto o pincel fica detido
Se o medo nos consome
Alimentemos com coragem, nossa fome

Resolvi dizer que vale a pena a entrega

Se ama e não é amado
Deixe o amor de lado
Se não ama e é amado
Mais vale a dor de ter tentado
Se há uma quadrilha de amados
Apague duas linhas do quadrado
Se o desejo é afetado
É preciso que ele seja manifestado.

1 de abril de 2007

Claro e Escuro

Enquanto a luz prevalece
O preto absorve
Aquece
Calor
O suor desliza
A flor quase fenece

Quase.

Enquanto a escuridão desponta
O branco ilumina
Sina
Portuguesa
O chão treme
A lágrima aponta

Certo.

O claro e escuro tudo toma
E a elegância da antítese
Brilha, emociona e soma

Pois não só a maioria vence
De uma organizada minoria
A vitória pertence.