Esta é só uma escrita triste
Acerca do que não continuou
Dos dias que correm, dos comprimidos que tomei
que não me curaram de você.
A saudade é a vida concreta que tenho na memória do que não se realizou.
Com os olhos cerrados repasso toda noite
O cotidiano que não foi vivido
O sorriso da criança que ouve
O tilintar da chave de quem a engendrou
A noite acompanhada com cheiro de calor
A saudade é um mundo de cores e tinta fresca que você me borrou.
Até quem nos via nas exposições de paixão
Como meros transeuntes de nós mesmos
Via a luz que saltava do casal
O brilho da menina apaixonada por Matisse
Fruto do seu mentor; o sabor
O doce de açúcar tatuado na língua
que remédio algum fez fenecer.
A saudade é anseio conjunto que soltou das suas mãos.
Lembra do medo do destino que agregou
pudesse fazer se perder o carinho ao outro?
Não há perdão que faça o tempo voltar?
- Queridas estrelas, tragam meu compositor.
Ao redor, o universo particular
Já não jorra as gotas ilustres, nem mostra o X no alfabeto carioca
O despertador orgânico não soa nas madrugadas
O futuro é o desejo incerto do permitir.
A saudade é insensato mar que insiste em bater, em descer.
As pernas já cansadas de correr contra o tempo
Repousam e percebem o passar dos dias
Sem pausar
Quando foi que o amor desencravou as letras do meu nome de você?
Ai. Quão tolas podem ser as discussões...
Quando o assunto é o amor
Perca o tempo somente agindo em traduzi-lo
Meu travesseiro flutua nos lamentos
da boca vazia que teima em proferi-los.
A saudade é amor ferido que a distância abortou.
Tentativa falha de colocar em palavras o que é dito, maldito ou bendito, no dia nosso de cada pão.
4 de janeiro de 2011
26 de outubro de 2010
Com Balanço de Jazz, Uma Letra.
Entra em campo, uma partida, um broto
Você a encara e ela a você, o início
Olho no olho, elogios e com algum esforço
por parte de um dos dois, um toque.
No final de toda história,
foi você quem ficou na mão...
Mas antes de ficar zero a zero, o desenrolar
Se os dois gostam da carícia, por que não continuar?
Menino, ela te chamou e você correu
Isso era tudo que não poderia ter feito
Estragou tudo o que tinha e o que nem podia
Doou-se demais de uma só vez.
Retroceda. Ainda há tempo.
Deixe-a voar e corte as asas mais livres que você já viu.
Enquanto ela sofre e roga-te para ir embora, fique.
Prenda-a em seu abraço até que o sono a derrube.
Ela não te pediu pouco, cara.
Só pediu o contrário e você não soube dar.
Enquanto traga o último suspiro desta paixão,
ela engole a última lágrima da raiva que comprou.
Vamos fazer um brinde ao amor
e a mais essa partida perdida
que empatou
você.
Você a encara e ela a você, o início
Olho no olho, elogios e com algum esforço
por parte de um dos dois, um toque.
No final de toda história,
foi você quem ficou na mão...
Mas antes de ficar zero a zero, o desenrolar
Se os dois gostam da carícia, por que não continuar?
Menino, ela te chamou e você correu
Isso era tudo que não poderia ter feito
Estragou tudo o que tinha e o que nem podia
Doou-se demais de uma só vez.
Retroceda. Ainda há tempo.
Deixe-a voar e corte as asas mais livres que você já viu.
Enquanto ela sofre e roga-te para ir embora, fique.
Prenda-a em seu abraço até que o sono a derrube.
Ela não te pediu pouco, cara.
Só pediu o contrário e você não soube dar.
Enquanto traga o último suspiro desta paixão,
ela engole a última lágrima da raiva que comprou.
Vamos fazer um brinde ao amor
e a mais essa partida perdida
que empatou
você.
24 de outubro de 2010
À Não Tradução de Um Texto Difícil.
A definição do não ser, em certos casos
Acaba por ser uma definição, ou apenas uma melhor resolução
Do enigma do ser e existir de alguém
Complicado é dizer como é.
Traduzir pode ser estapafúrdio, e curioso o querer.
Se eu sou (apesar de estar mais para estou)
Creio que uma refinada antítese
Poderia certamente descrever-me. Ou nem...
Por que o constante é tão duvidoso?
Vide as campanhas feitas no ar, por aí.
Rabiscar, rabiscar e o reinventar
É uma solução mas não definitiva. Com hora marcada.
É só uma forma de ver
Me diz o que é certo, baby.
Me diz o que é ser, tá?
Me diz o que é ser certa.
Talvez seja incêndio e uma chuva de gelo
E alva, negra e mistério.
Não sou eu quem vai dizer.
(A hipocrisia que passe bem longe)
E talvez, na noite de 40
Ó meu "humanista", seja o beijo que não procura.
É, o tempo é tão curtojápassou.
Curto.
Acaba por ser uma definição, ou apenas uma melhor resolução
Do enigma do ser e existir de alguém
Complicado é dizer como é.
Traduzir pode ser estapafúrdio, e curioso o querer.
Se eu sou (apesar de estar mais para estou)
Creio que uma refinada antítese
Poderia certamente descrever-me. Ou nem...
Por que o constante é tão duvidoso?
Vide as campanhas feitas no ar, por aí.
Rabiscar, rabiscar e o reinventar
É uma solução mas não definitiva. Com hora marcada.
É só uma forma de ver
Me diz o que é certo, baby.
Me diz o que é ser, tá?
Me diz o que é ser certa.
Talvez seja incêndio e uma chuva de gelo
E alva, negra e mistério.
Não sou eu quem vai dizer.
(A hipocrisia que passe bem longe)
E talvez, na noite de 40
Ó meu "humanista", seja o beijo que não procura.
É, o tempo é tão curtojápassou.
Curto.
29 de setembro de 2010
Estranho Livro de Doida Receita
O mundo é uma massa
E eu, um ingrediente
Um bolo de gente
Que de tão diferente
Tende a se igualar e assar.
Se amargo ou doce meu sabor
Meu torpor é o que se sabe dizer.
Vamos fazer um bolo insosso de nós?
Com glacê de estrelas e cometas
E que o céu derreta e seja a cobertura
Deliciosa loucura é viver
Muito prazer, parte da receita.
E eu, um ingrediente
Um bolo de gente
Que de tão diferente
Tende a se igualar e assar.
Se amargo ou doce meu sabor
Meu torpor é o que se sabe dizer.
Vamos fazer um bolo insosso de nós?
Com glacê de estrelas e cometas
E que o céu derreta e seja a cobertura
Deliciosa loucura é viver
Muito prazer, parte da receita.
28 de setembro de 2010
Gyn, Tônica e Concerto
Na sinfonia do te levar
As notas soam a falta da pele,
Da fala doce que lá está.
Tantos são os instrumentos.
O trompete suave sobrinho,
A flauta tocada afilhada,
Os ruidosos sorrisos do observar.
Pega-se o avião para a turnê da vida
Esquecida ou não, presente no sonhar
Que inconscientemente é capaz de aproximar.
Pode mudar? Mudar?
Compondo o beijo, são entregues os pontos
Tendo em mãos, a escolha passa a ser
Segurar ou não.
O descompasso é passado então?
Assista. Vá de encontro a composição
Que já passa, mas te espera entrar.
Sendo os desencontros partes da história
Como dois acordes, mesmo tocados distantes
Podem um dia juntos ressonar.
Não os apague da memória
Para que o encontro seja possível, do par.
As notas soam a falta da pele,
Da fala doce que lá está.
Tantos são os instrumentos.
O trompete suave sobrinho,
A flauta tocada afilhada,
Os ruidosos sorrisos do observar.
Pega-se o avião para a turnê da vida
Esquecida ou não, presente no sonhar
Que inconscientemente é capaz de aproximar.
Pode mudar? Mudar?
Compondo o beijo, são entregues os pontos
Tendo em mãos, a escolha passa a ser
Segurar ou não.
O descompasso é passado então?
Assista. Vá de encontro a composição
Que já passa, mas te espera entrar.
Sendo os desencontros partes da história
Como dois acordes, mesmo tocados distantes
Podem um dia juntos ressonar.
Não os apague da memória
Para que o encontro seja possível, do par.
26 de setembro de 2010
Ela Que Me Deixou.
Ah, que judiação
Notei que a infância largou-me
Quando deixei de ganhar
docinhos de são cosme e são damião.
Sem saquinhos,
Só beijinhos de paixão.
É chegada a hora de ganhar o pão.
Notei que a infância largou-me
Quando deixei de ganhar
docinhos de são cosme e são damião.
Sem saquinhos,
Só beijinhos de paixão.
É chegada a hora de ganhar o pão.
8 de setembro de 2010
Um Chão Diferente e Forçado.
Para começo, tudo ficará bem
Mesmo em tempos de guerra
Ah, terra querida! Tão ferida
Em teu mar, quero me afogar
Só que por vontade própria
[Pode entender isso, mal que vigora?]
Tive um sonho com um céu de nuvens camufladas
Palavras que disparadas pela boca eram caladas
mesmo antes do nascer do sol que só há lá.
Recortes sobre o papel azul
A impressão de ligar o ventilador
e os pedaços de papel espalhar
um para cada oceano, é dor.
Não se pode regressar
Ponteiros correm sobre a superfície
Lisa, é a textura do meu bolso
Não se pode regressar
porém, se o sonho já é rosa, volta?
Tendo um travesseiro, mesmo ainda cabreiro,
fico a pensar, pensar.
Mesmo em tempos de guerra
Ah, terra querida! Tão ferida
Em teu mar, quero me afogar
Só que por vontade própria
[Pode entender isso, mal que vigora?]
Tive um sonho com um céu de nuvens camufladas
Palavras que disparadas pela boca eram caladas
mesmo antes do nascer do sol que só há lá.
Recortes sobre o papel azul
A impressão de ligar o ventilador
e os pedaços de papel espalhar
um para cada oceano, é dor.
Não se pode regressar
Ponteiros correm sobre a superfície
Lisa, é a textura do meu bolso
Não se pode regressar
porém, se o sonho já é rosa, volta?
Tendo um travesseiro, mesmo ainda cabreiro,
fico a pensar, pensar.
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