11 de junho de 2010

Respire, o Gelado do Vento

Por que está tão tão gelado
o piso que meu pé insiste em acariciar?
O gelo da saudade e da consideração não feita
penetra na inspiração para tomar cada poro
e palpitação que ainda cisma em vibrar.
Sofro pela maldade que não solta minha mão
nem ao meu chacoalhar
nem com água e sabão

Abro os olhos e um mar de gente confuso
mostra-se, precipita e quebra na face areia
já pálida. Querida luz solar,
você ainda aí está?

O vazio do tocar das pálpebras
já não me permite o sonhar
Se desta vez não desnorteio, sou sã demais.
Alguém traz a fagulha pro fogo da bondade acender
Como machuca não ser mais como era o passado'ce
Maculada, o fim da flor é morrer
Não saberei existir se o frio enfim, não desaparecer.


12 de abril de 2010

Acento da Xícara

Em dias de frio como este
Em que nenhuma forma de amor
Se apresenta
Acenta a xícara de café
na tela e no pires

É bom ver a amarga fumaça
e o ardente sabor escuro
que em dias frio como este
é o único capaz de acalentar a alma,
acalmar o frio e esquentar a solidão.

6 de abril de 2010

Uma Balada Pra Quem

Um gotejar que não pára
Ping, ping, chuá, chuá, trovvv
E a nuvem não seca, seca
Seca de pingar
O lavar das mãos está forte
Me arranca, céu, até o norte
Pra onde eu possa congelar.
De vez

E me carrega o frio, de volta
Na veia grossa que mistura
A amarga inquietude
com o gosto de fel da melancolia
Faltava a alegria.

Que transpasse a luz, o céu
Pro que não tem cura, o sol
Pro 92 que não volta, a prece
Vai sol, aparece.
Mas não deixa o verde queimar
Se ele ainda existe...

Uma balada triste
Para quem ainda sabe sorrir.

5 de abril de 2010

Adeus, Ao Adieux

Demorei para perceber, mas pude ver
que em dias de feriado
nem toda surpresa é boa
Um perfil que chega a te fazer tremer o peito
Mas tudo isso já não era para ser normal?

Quando a folha em branco acaba
O fim torna-se fato
Só que papel não tem alma, tem?

Fica bem lá, que eu fico aqui
Se me chamar, já me perdi
Com as mãos no rosto, não posso ouvir.

Em dias que o sol não aparece
E os sorrisos ficam escondidos brincando
Pela janela, vejo e não me sinto daqui
De um mundo tão belo para os olhos
E esquisito pro coração

Vai-se a paixão, fica o amor, vazio
Ou seria completo em si,
para ficar isolado, tatuí?
Agora me deixa de lado
E eu deixo bom para você,
adieux.


21 de março de 2010

Dissertação Do Amor Que Tive.

O que posso falar do amor que tive.
Vivi-o, curti-o, traí-o e busquei a redenção
O afã que se dissipara, uniu-se
Não havia sido extinta a veemente paixão
Implorei, senti doer como nunca, talvez.

Mas a dor do arrepender-se só não é pior
Do que a de nunca ter aprendido por não ter arrependimentos.

Pensamentos que vem e vão, vão
E levaram-no pro lado de lá
Posso um dia trazer sua barba morango por cá
E se não vier, que fique o doce do que foi passado.
O amargo que auto-destrua-se, crua verdade que não se traga
Quando perdido está
Fica bem mais difícil achar
Tão difícil.

31 de agosto de 2009

Projeto de Atuação

Num bate papo
Enquanto a madrugada já despontou
Faz tempo
Quem projeta as casas do povo
diz que sempre trabalha
por um tempo novo
Apesar da falta das horas.
Que quando não trabalha no cubo
Refrigerado e com aroma de café
Procura um outro horário, um outro grupo
Pra um concurso, uma disputa fresquinha
Como a tinta que ainda vai pintar
A habitação popular.
Só não dá pra parar de trabalhar, de calcular
Enquanto o sol não chegar.
Foi o que o arquiteto contou

Mas o sol ainda não raiou
Na terra do céu enevoado

E a madruga continua se estendendo
O sono se foi
Quem joga e representa para os outros
Conta dos dias feios por que tem passado
Em um cenário sem praia, sem sossego e sem amor
O horror que a ronda e a viagem que faz pelos livros
Nas histórias mais longas ou curtas, loucas e lúdicas
Sua gaveta abre e vão se compondo as personagens
Pelos passos que dá, um espaço que se cria, não parar
até não tropeçar haja o que vier. E a cama já esquecida,
reflete a olheira já vista por qualquer espelho.
Só não pode parar de treinar, de estudar
Enquanto o sol não chegar.
Foi a atriz que contou.

Nem o céu pôde ficar azul
Na terra com cheiro de mar.

Pra um sotaque de amizade
Mais notícias sem estrutura
E se aproxima o chamado do escritório
O arquiteto despluga e mergulha em seu lençol
A atriz pluga no texto e vai decorar.

Tão cedo, vai ser difícil de acordar...

26 de agosto de 2009

inMusa NãoConvidada

Sonata
Sonâmbulo
Soneca
Soneto
Sônico
Sonoro
Sono...

Porque insiste em partir todas as noites?

Não quero a amizade da musa
que diariamente insiste em fazer uma visita
Duradoura, insistente e intensa
Àqueles que da cobertura negra e imensa
Vestem-se mas não conseguem o conforto

O próximo dia fica morto.
E um atrás do outro...

Essa noite você não é convidada, srta. Inmusa!
Mas como todo bom intruso
Com o desuso do meu travesseiro
Você bate e persiste em entrar
Quando as estrelas já começam a cair.

Seja bem-vinda, então.
Vamos prosear, discutir, escrever e brigar
Até quando seu amigo bater,
domar e me derrubar.

(bocejo
= o aviso, melhor, o som dos passos do sono
quando o tão aguardado resolve se aproximar
da porta do meu quarto).